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Depoimentos

"Sua saúde não pertence só a você, mas também a sua família"

Comecei a fumar aos 15 anos. Estudava em colégio interno onde fumar era proibido. Era aí que estava a graça. Junto com os colegas, fumava no pátio ou no banheiro. Costumávamos colecionar as embalagens dos cigarros, que se chamavam Fulgor, Aspázia e Yolanda. Naquela época, para mim, fumar não era vício, mas brincadeira de adolescente.
Com uns vinte anos a coisa ficou mais séria. Afinal, eu já havia conquistado uma independência financeira e nada, nem ninguém me impediria de fumar.
A primeira vez que resolvi largar este vício foi quando meu filho mais novo tinha três anos. Depois de passar por uma forte gripe, fui a um médico que me deu um conselho que jamais esqueci: "Você não é dono da sua saúde; ela pertence também aos seus filhos". Esta motivação durou cinco anos.
Minha segunda tentativa ocorreu quando já estava com setenta e dois anos e a causa também foi por estar debilitado por uma gripe. Só que o médico foi mais categórico: "Você tem enfisema pulmonar e se continuar a fumar poderá morrer por esta doença". Ele me receitou pílulas, e após três dias não sentia mais vontade de fumar.
Hoje em dia sinto mal só com o cheiro da fumaça. Percebi que nunca é tarde para recomeçar. Prezo demais a minha vida e sei que ainda posso ser útil para as pessoa, se tiver saúde.
Sebastião dos Santos

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"Você não consegue , a não ser que esteja bem preparado"

Se eu fosse como minha esposa, eu nunca pararia de fumar. Ela pode fumar um ou nenhum cigarro por dia. Se tiver um cigarro a mão, sente prazer nele. Se não tiver, não sente a menor falta. Ela nunca comprou um maço de cigarros na vida !
A primeira vez que parei tinha 30 anos. Parei sem remédios ou grupos ou adesivos. Decidi parar por conta própria e esta decisão durou 1 ano. Honestamente, eu acreditava que já havia superado o vício. Então, eu comecei a crer que seria uma grande indulgência permitir-me um charuto após o jantar.
Após algumas semanas eu percebi que estava fumando charutos da mesma forma que fumava cigarros: ao telefone, dirigindo, após beber café ou com um drink. Não havia conscientemente decidido voltar a fumar, mas quando vi maços e maços de charuto, pensei: "Que se dane, vou voltar para os meus cigarros".
Eu nunca tive dependências a não ser o tabaco. Sou uma pessoa compulsiva: Trabalho compulsivamente, como compulsivamente e fumo compulsivamente. Eu nunca experimentaria uma droga que me causasse dependência, pois sei como sou compulsivo e isto me apavora.
Após várias tentativas, onde me sentia miserável sem o cigarro, decidi tomar uma série de decisões para minha vida: iria retomar a forma física e para de fumar.
Não consigo esquecer a morte de uma grande amigo, também tabagista, durante sua cirurgia de safena, após ter sofrido um infarto. Sua mulher ficava sentada no saguão esfregando as palmas das mão e abraçando seus dois filhos.
Foi terrível.
Hoje eu odeio cigarros. Sinto uma aversão a fumaça do cigarro que é intelectual, física e alérgica. Sei que se fumar um cigarro, amanhã estarei fumando novamente 3 maços por dia. Não sei como é para outras drogas, mas para mim isto é dependência. Mesmo com este ódio pelo cigarro, sei que se experimentar um, ele me agarrará.
A.S

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"Mudando atitudes e pensamentos sobre o cigarro"

Tentei parar várias vezes antes de conseguir definitivamente. Eu fazia pequenos acordos comigo: " Hoje não vou fumar". Mas a decisão não passava das 11 horas da manhã. Ou então decidia só fumar se me oferecessem um cigarro. Nestes o dia, o protocolo iniciava oferecendo um cigarro para alguém. Quando decidia não comprar mais cigarros e só ficar filando, a decisão durava até alguém me pergunta: "Por que você não compra seu próprios cigarros ?
Quando tentava parar eu sentia vários sintoma de abstinência: ansiedade, irritação, insônia, hiperatividade, incapacidade de me concentrar, ao ponto de não conseguir escrever! E isto me apavorava, pois sou editor de uma revista e escrever é meu ganha-pão.
Este desconforto vai diminuindo. Mas ele só diminui aos poucos e levou 5 ou 6 semanas para sumir.
Após 2 meses estava escrevendo com a velha forma.
A chave para meu sucesso foi mudar meu entendimento sobre deixar de fumar. Eu, antes, agia como por sacrifício pessoal. Eu estava tentando parar com algo que me dava prazer e o processo era muito desagradável. Era um mártir.
Passei a dizer bem alto: Não, eu não fumo. E não algo como: Não, estou tentando parar de fumar. Carregava cenouras para lidar com a necessidade de alguma compensação oral. 
Não fumo há 20 anos. Não há mais luta ou ambivalências. Aliás, a fumaça ou o cheiro do cigarro chegam a ser ofensivos para mim. Acho, como diria meu pai, que amadureci.
E.W
 

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